|
Conhecidos historicamente como uma nação de mercadores, os britânicos estão de olho no potencial comercial do Rio Grande do Sul. Entre as oportunidades de negócios, os setores gaúchos que mais interessam aos quatro países do Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) atualmente são o calçadista, farmacêutico e de Tecnologia da Informação (TI).
Para aproximar os dois pólos comerciais, a Federação do Comércio do Rio Grande do Sul promoveu o Seminário Bilateral de Comércio Exterior e Investimentos Brasil - Reino Unido (UK). Diplomatas, economistas e especialistas em logística falaram para uma platéia de potenciais investidores, numa tentativa de fomentar as relações comerciais entre o Reino Unido e o Estado.
Conhecido pela excelência de sua qualidade, os calçados são um referencial dentro de um dos setores que mais impulsiona a economia do Reino Unido, a moda. "Design e valor agregado fazem a diferença na moda, em particular a inglesa", destacou Felipe Silva, presidente da Britchamm, entidade sem fins lucrativos cujo principal objetivo é fomentar as relações entre as nações.
De acordo com ele, apesar de a China ser um grande concorrente na área, os calçados fabricados no Rio Grande do Sul atendem às exigências inglesas, pela excelência de sua qualidade.
Sexto maior país em Paridade de Poder de Compra (PPC) do mundo, os 60 milhões de ingleses têm um PIB per capita de US$ 36.600,00 ao ano e o setor de comércio e serviços representa 80%, 4% da força de trabalho dos ingleses. O PIB é de US$ 2,231 milhões (7º lugar) ao ano, conforme dados de 2008.
Para a consulesa e diretora da UK Trade & Investiment, Denise Pellin, com a proximidade da Copa do Mundo e atividades como o pré-sal, são muitos os leques que se abrem e podem aproximar o Estado do Reino Unido.
"Vejo grandes oportunidade de negócios nesses setores", avaliou. De acordo com ela, o Reino Unido, além de ser o destino preferido dos investidores estrangeiros na Europa, detém mais da metade das empresas do continente, muitas delas no setor esportivo e de petróleo.
Tecnologia da Informação é área valorizada
Entre os setores que podem ampliar as relações comerciais entre o Rio Grande do Sul e o Reino Unido, as áreas farmacêutica e de Tecnologia da Informação são bastante valorizadas. De acordo com David Burrows, manager da UK Trade & Investiment, o Reino Unido oferece incubadoras, conhecidas como touchdowns, da empresa Think London, de Londres. Nela, investidores estrangeiros podem se instalar por até dois anos, pagando apenas o equivalente a R$ 300,00 de condomínio. "É muito fácil e ajudamos os interessados no negócio", assegurou. Segundo Burrows, para se abrir uma empresa no Reino Unido o investidor leva até três dias e gasta entre R$ 100,00 e R$ 300,00. "Há espaço para quem trabalha com TI, um setor bastante valorizado", informou.
Ainda de acordo com Burrows, outro setor que abre as portas inglesas é o farmacêutico, com a ascensão dos shoppings, modo de consumo que até bem pouco tempo não fazia parte do modo de vida inglês, já que eles preferem o comércio de rua. Além dos shoppings, os supermercados também abrem espaço para as farmácias, uma tentativa de customização e barateamento dos produtos.
A população inglesa vive cada vez mais, sendo os idosos a maioria da população, com expectativa de vida de mais de 78 anos. "Mas, infelizmente, ainda temos poucos negócios com os gaúchos. Existem muitas empresas potenciais, mas elas ainda não descobriram o Reino Unido", lamentou. De acordo com ele, apenas uma empresa de bricolagem gaúcha mantém negócios com o país. "É fácil, barato e existe potencial no Estado. Esperamos que mais gaúchos invistam por lá. Por enquanto, estamos restritos aos investidores de estados como São Paulo e Rio de Janeiro."
Como uma das maiores potências na geração de energias alternativas (eólica e marítima), o Reino Unido fabrica máquinas, ferramentas, equipamentos industriais, equipamentos científicos, engenharia naval e oceânica, engenharia aérea, veículos motorizados e peças, eletrônicos, computadores, metais processados, produtos químicos, mineração de carvão, petróleo, papel, alimentos processados, têxtil, roupas, entre outros bens de consumo. "Tudo o que se refere a essas áreas é de interesse dos britânicos", avalia o presidente da Britchamm, Felipe Silva.
Parceria deve atrair novos empreendimentos ao Estado
A aproximação de governo com a iniciativa privada contribuirá para que futuros investimentos sejam feitos no Rio Grande do Sul, prevê o secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai), Josué de Souza Barbosa. Para facilitar esse processo, o Executivo autorizou a Sedai a realizar convênio com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) para a melhoria da competitividade de cadeias produtivas.
Barbosa ressalta que o trabalho em conjunto pode propiciar o desenvolvimento de vários setores, como o de petróleo e gás. "Está cada vez mais evidente que a ideia da aliança entre governo, universidade e empresas é o que funciona e gera os melhores resultados", aponta o secretário.
O dirigente argumenta que, muitas vezes, o meio empresarial sabe antes do governo em que locais os empreendedores desejam investir. Ele acrescenta que é importante para o Estado atrair empreendimentos que diversifiquem e qualifiquem a estrutura econômica gaúcha.
Dentro do acordo entre governo e Fiergs, serão feitos estudos, diagnósticos e atividades que permitam a elaboração e implantação de políticas, programas e projetos de desenvolvimento e de melhoria da competitividade das diversas cadeias produtivas gaúchas, com criação de cenários propícios à atração e implantação de empreendimentos industriais para o Rio Grande do Sul.
Fonte: Jornal do Comércio
|