|
Discurso do Presidente do Conselho
de Administração da BM&F, Manoel
Felix Cintra Neto, no encerramento do Congresso – 26/08/05
Senhoras, senhores,
Estamos chegando ao fim deste II Congresso de Derivativos
e Mercado Financeiro de Campos do Jordão. Quero
desde já convidar todos vocês para o III
Congresso, previsto para 2007. As fichas de inscrição
estarão disponíveis em nosso site na
Internet a partir da próxima segunda feira,
para reserva de estandes.
Em meu nome, em nome dos Conselhos de Administração
e Consultivo e dos profissionais da BM&F agradeço
a todos os que subiram à montanha. Agradeço
também a todos os que direta ou indiretamente
ajudaram na organização deste evento,
em particular aos patrocinadores, expositores, imprensa, à Sampa/Tamer
e Regina Faconti, empresas especializadas em organização
e promoção de eventos, bem como aos funcionários
e diretores da BM&F.
Como disse no meu discurso de boas-vindas, sei que
vocês têm uma agenda carregada. Como disse
também, e repito, quem chega ao topo da montanha
tem de se preparar para os ventos que sopram de todos
os lados.
Espero sinceramente que todos voltem às suas
casas e mesas de trabalho na próxima segunda-feira
bem recompensados e municiados pelo que ouviram e pelo
convívio de que desfrutaram.
Farei um resumo do que foi debatido nestes dois dias
de imersão em palestras e painéis com
nossos convidados brasileiros e estrangeiros, procurando
ressaltar as mensagens que aos nossos olhos parecem
mais importantes.
Ao final, darei também a vocês uma informação
relevante. Essa informação deve ressaltar
o alto nível profissional em que colocamos nossas
relações com o Estado Brasileiro em todos
os seus níveis - Executivo, Legislativo e Judiciário
- acima de quaisquer políticas partidárias,
em benefício do bem comum.
O Congresso, em seu primeiro dia, começou com
um painel dedicado ao panorama econômico global
brilhantemente conduzido por Paul Krugman.
Krugman descreveu de forma impressionantemente simples
o que chamou de situação “estranha” que
atualmente vivemos. A observação inicial é mais
que pertinente: o capital está fluindo para
onde os retornos são menores, o que, por si,
parece violar a lógica empresarial e econômica.
Temos, de um lado, os desequilíbrios da economia
norte-americana, com grandes déficits em transações
correntes, baixa poupança pessoal e bolha especulativa
no mercado imobiliário, estimulada por uma taxa
de juros extremamente baixa após a crise da
NASDAQ.
Do outro lado do mundo, vemos uma China com seu câmbio
desvalorizado, exportando e acumulando reservas de
forma assustadora, e com grandes investimentos nos
Estados Unidos. Esse parece um quadro quase insustentável.
Além disso, como bem chamou a atenção,
temos uma escalada sem precedentes do preço
do petróleo.
Como excelente analista que é, o Dr. Krugman
tocou num ponto essencial para o desenvolvimento do
Brasil: a desigualdade social existente. Como ele,
esperamos, sinceramente, que possamos dirimi-la com
políticas públicas associadas a uma política
econômica responsável, mas certos de que
na história recente estamos caminhando para
uma economia mais sólida em seus fundamentos.
Na seqüência, tivemos mais uma apresentação
para estimular senso crítico. De maneira clara
e transparente, recorrendo à sua experiência
de matemático aplicado e administrador de hedge
funds, o Dr. Paul Wilmott nos mostrou a diferença
que faz utilizar os diferentes tipos de volatilidade
sobre o lucro realizado com opções, dentro
do modelo de Black & Scholes, no qual se assume
a volatilidade constante. Por mais simples que sejam
as hipóteses do modelo, esse parâmetro,
e assim a decisão sobre o modelo que o determina,
define a rentabilidade da estratégia.
A lição foi bem entendida: o hedging
usando a volatilidade esperada tem lucro certo no vencimento,
mas no dia a dia a variação dos ganhos é errática.
Já o hedge com base na volatilidade implícita
tem ganho diário certo e lucro no vencimento
positivo, porém aleatório, e depende
da taxa de crescimento do preço da ação
e sua trajetória. De qualquer forma, fica evidente
a lição básica, que todos sabemos:
o mercado está sempre certo em suas previsões
até mesmo quando se trata de comprar a opção
que está barata e vender a que está cara.
Tivemos, a seguir, uma excelente mesa-redonda com
Sérgio Werlang, Affonso Celso Pastore, Pratini
de Moraes e Paulo Leme sobre os Fundamentos de uma
Política Econômica Sustentável.
Neste painel a abertura coube a Affonso Pastore, que
abordou o que considerou como ciclo positivo na economia
mundial, com elevação nos preços
das principais commodities exportadas pelo Brasil.
Diante disso, a recente valorização do
real frente ao dólar não afetou a performance
das exportações.
Os superávits são conseqüência
de um choque externo positivo, que está influenciando
tanto as exportações de bens in natura
quanto de produtos industrializados, sendo a influência
sobre esses últimos causada pela grande quantidade
de commodities ali embutida.
Para Pastore, a grande dúvida é se este
ciclo internacional será duradouro. Na sua opinião,
o tamanho do ciclo é dependente de fatores internacionais,
tais como o crescimento da economia chinesa e a evolução
da economia americana.
Foram apresentadas as seguintes conclusões:
- O câmbio valorizado expõe a economia
brasileira a riscos;
- O crescimento deverá passar por uma maior
liberação das importações
de bens de capital, para elevar a produtividade interna
e reduzir custos;
- Os acordos internacionais não devem ser orientados
de forma ideológica, mas seguir uma lógica
econômica;
- O crescimento econômico está associado
ao volume de exportações e não
ao saldo comercial. Se for necessário importar
mais para elevar as exportações, esta
deverá ser a linha a ser perseguida;
- A chamada Dutch-Desease (penalizar as exportações
de commodities para beneficiar as exportações
de bens industrializados) deverá ser evitada.
Se esta política se fizer necessária,
ela deverá ser bem clara e com efeitos localizados;
- As intervenções no câmbio são
caras e de eficiência muito curta, devendo ser
evitadas.
Sérgio Werlang apresentou um panorama da economia
brasileira de curto, médio e longo prazos.
Para o curto prazo houve coincidência com as
conclusões de Pastore: o PIB chinês está afetando
diretamente o comportamento das contas externas brasileiras.
Ainda no curto prazo, Werlang apontou a expansão
do crédito como um dos principais elementos
para a manutenção da expansão
da atividade que observamos, mesmo com a taxa de juros
em patamares tão elevados em termos reais e
nominais. Apresentou estatísticas mostrando
que a cada 1% de incremento no crédito consignado
para pessoas físicas a produção
de bens duráveis aumenta em 0,31%.
O crédito para as pessoas físicas, principalmente
de baixa renda se revela como fundamental para potencializar
a política monetária, porque é neste
ponto que o consumo se apresenta mais sensível às
medidas do Banco Central. Seu destaque foi de que essas
conclusões são válidas independentemente
do nível da taxa de juros, porque a economia
está atrelada ao comportamento de variáveis
externas e à expansão do consumo das
classes de baixa renda.
Para o médio prazo, Werlang apontou melhoria
nos indicadores macroeconômicos, mas a relação
dívida/PIB ainda é delicada. Segundo
suas projeções a economia começa
a ter condições de ser classificada como
investment grade a partir de 2007 e, se houver uma
política de déficit zero, apresenta todas
as condições a partir de 2009.
Para o longo prazo Werlang acredita que são
chaves para a melhoria das condições
do Brasil: o respeito à propriedade, que deve
ser encarado com maior seriedade, e a melhoria da eficiência
do judiciário, que ainda não pode ser
considerado satisfatório.
Paulo Leme apresentou um cenário coincidente
com os demais e adicionou que o governo vem apresentando
um crescimento na alavancagem de seu consumo, deslocando
o setor privado.
O Governo deveria recuar, porque está grande
demais, arrecadando muito, gastando muito e gastando
mal.
Foram sugestões de Leme:
- Criar uma agenda para o crescimento;
- Harmonizar os instrumentos de política econômica;
- Retomar as reformas estruturais;
- Agir em coisas simples, como redução
do custo da dívida pública, retirando
o CPMF dos investidores estrangeiros;
- Deixar de superestimar a capacidade de o setor privado
carregar a dívida pública, o que vem
prejudicando o mark-to-market dos títulos prefixados.
Pratini de Moraes mostrou como o setor agropecuário
vem desempenhando papel fundamental nos resultados
externos e como esses produtos são discriminados
nos países desenvolvidos.
Mostrou também que a saída está sendo
conseguida pela abertura de novos mercados nos países
em desenvolvimento e a negociação de
melhores condições nos países
desenvolvidos. Segundo Pratini, o crescimento do consumo
de produtos alimentícios pelos países
em desenvolvimentos tem mostrado que o Brasil está no
caminho correto.
Klaus Said abriu a mesa-redonda sobre o novo mercado
de balcão, perspectivas, novos produtos, estratégias,
gerenciamento de riscos e regulamentação.
Mostrou-se que o mercado de balcão oferece os
seus produtos de acordo com as demandas específicas
dos clientes. Dessa forma não existe um padrão
de comportamento para as mesas que negociam produtos
de balcão. São operações
sofisticadas que demandam tempo para a sua criação
e comercialização. O desenvolvimento
desse mercado está então associado a
um mercado de produtos padronizados líquido
para o balizamento de preços e risco.
A seguir apresentou exemplos de estratégias
mais demandadas pelos seus clientes e os efeitos criados
por elas nos resultados dos portfolios desses clientes.
>João Tourinho abordou os aspectos legais da
implantação do ISDA no Brasil e a potencialidade
desse mercado.
Com relação aos aspectos legais, foi
demonstrado o caminho traçado desde os estudos
do Contrato Geral de Derivativos até as recentes
modificações realizadas no Código
Civil para que os investidores se sentissem mais protegidos.
Ao evitar os riscos legais, Tourinho apontou como
benefícios: o aumento do número de produtos
oferecidos pelo sistema financeiro e o crescimento
dos volumes negociados também nos produtos padronizados,
pela existência de um efeito de complementaridade
entre esses dois mercados.
Marcelo Trindade mostrou que a CVM está realizando
um rápido aprendizado após ser inserida
num contexto muito mais amplo do que aquele em que
estava acostumada a atuar.
A linha de ação da CVM terá como
base uma postura propícia à liberação
dos mercados, para que os mesmos exerçam seus
papéis. Ao mesmo tempo estaremos reforçando
as medidas prudenciais que evitam práticas ilegais.
Mostrou-se favorável ao modelo apresentado
pela BM&F para o Mercado de Derivativos Não-Padronizados,
pela transparência de operações
e preços e pela presença supervisora
da Bolsa.
Trindade também frisou que deseja fomentar
a atividade auto-reguladora, cobrando maior rigor na
fiscalização por bolsas e entidades de
registro.
Segundo Trindade, o desafio para o futuro ainda está no
equilíbrio entre desenvolvimento, regulação
e auto-regulação.
Kenneth Rogoff e o ex-embaixador do Brasil em Washington
Rubens Barbosa participaram de Plenária dedicada
a discutir os desafios do novo sistema financeiro internacional
e o que seria um modelo ideal.
Para Kenneth Rogoff o mercado financeiro doméstico
se funde com o externo, sendo ilusão achar que
pode ser criada uma política somente para o
setor doméstico.
Apresentou estatística mostrando que o crescimento
de longo prazo da economia mundial segue uma tendência
positiva e que as crises registradas recentemente foram
bem mais curtas do que no passado.
Na sua opinião, esses dados confirmam que estamos
vivenciando um ciclo de prosperidade da economia mundial
comparável com o observado nos períodos
após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.
Para Rogoff, tanto a política monetária
americana quanto a eficiência para distribuir
os efeitos do crescimento americano pelo mundo do mercado
financeiro podem ser apontados como elementos catalisadores
desse ciclo de crescimento e pela velocidade de recuperação
econômica após cada crise.
Ainda é um desafio para a economia mundial
realizar uma melhor distribuição dos
benefícios do crescimento e evitar a produção
de ilhas de pobreza, como se observa hoje na África.
Para o Brasil, Rogoff assinalou que têm sido
feitas reformas estruturais importantes e que o país
vem colhendo os frutos de seu esforço. Mas o
Brasil não pode parar esse processo, ou cairá na
estagnação que hoje afeta o México.
Assim sendo, mostra-se fundamental continuar melhorando
as condições econômicas brasileiras,
porque a situação atual ainda coloca
o Brasil numa posição de risco.
Rogoff sustenta que um dos mais sérios riscos
para a economia do mundo é o terrorismo. Com
o terrorismo existe a possibilidade de que os paises
recuem na integração e se fechem e que
os benefícios da integração mundial
já obtidos sejam revertidos.
Apontou que a melhoria das eficiências regionais
deve ser mais bem avaliada pelos Governos. Observa-se
uma redução no ritmo de integração
regional em todo o mundo e algumas posições,
como a redução do número de moedas,
devem ser levadas em consideração.
Rubens Barbosa fez uma avaliação da
política internacional do Brasil e dos avanços
e retrocessos observados nas negociações
multilaterais.
Para Barbosa a globalização envolve
riscos e benefícios que devem ser avaliados
em conjunto pela sociedade. No tocante à proposta
de uso de poucas moedas no mundo, lembrou a recente
experiência equatoriana de abandonar a sua moeda,
que foi desastrosa. Focou que as situações
dos países são muito particulares, não
podendo se atribuir uma regra geral a todos eles.
Com relação aos riscos para a economia
mundial, mostrou preocupação com o desempenho
da economia chinesa, mas não foi tão
otimista quanto Rogoff com relação à economia
americana. Para Barbosa a evolução de
macro-indicadores americanos não é positiva
para o mundo e deve ser encarada com preocupação.
Como proposta de encerramento evidenciou a necessidade
de uma política clara de negociação
com os parceiros internacionais objetivando a melhoria
do comércio brasileiro e a realização
das reformas estruturais que garantirão a estabilidade
do país.
A manhã de hoje abriu centrada naquilo que é o
coração do nosso negócio: a administração
de risco. Risco é um dos principais temas no
cotidiano dos mercados financeiros.
O sempre claro Philippe Jorion expôs sua visão
integrada dos riscos de mercado, de crédito
e operacional das diferentes atividades dentro um empreendimento,
método ao qual denominou de ‘enterprise-wide
risk management’, ou ERM. Essa integração
de riscos é de extrema importância, uma
vez que, como bem disse o palestrante, o propósito é o
uso eficiente do capital.
Ao chamar nossa atenção para o fato
de que um tipo de risco afeta o outro e que os riscos
não podem ser entendidos isoladamente, deixou
evidente o palestrante que o controle de apenas um
tipo de risco, por exemplo o de mercado, pode aumentar
a exposição a outro risco, como o de
crédito. Além disso, ressaltou que diferentes
tipos de firmas estão sujeitas aos diversos
tipos de risco em intensidades diferentes, fato esse
que se deve sempre ter em mente.
Com propriedade, o Prof. Jorion nos lembrou da evolução
do gerenciamento de risco, que passa cada vez mais
a ter um papel ativo de alocação de capital,
avaliação de desempenho e decisões
estratégicas, deixando para trás o caráter
passivo de ser apenas um relatório gerencial
para satisfazer um requerimento imposto por parte dos
reguladores.
No contexto político atual, o novo Acordo da
Basiléia, mais conhecido como Basiléia
II, é novo divisor de águas. Aprofundamos
a discussão sobre o tema na mesa-redonda que
contou com a participação de Jackson
Ricardo Gomes, Antonio Marcos Duarte Jr. e Sergio Darcy.
Jackson, o primeiro palestrante, nos fez lembrar o
objetivo primordial da discussão: garantir a
solidez do sistema financeiro em situações
extremamente adversas. Nesse sentido, todos os expositores
do painel concordam que o acordo representa um grande
avanço ao incorporar o risco operacional.
Os três pilares sobre os quais se sustenta (capital
mínimo, supervisão e transparência)
deverão reduzir o risco sistêmico e o
custo de captação de forma geral. Um
ponto da exposição chamou a atenção:
a necessidade do envolvimento da alta gerência
no controle de risco.
Não são simples os desafios para a implementação
do acordo no Brasil, como a falta de base de dados,
liquidez e problemas de recuperação de
crédito, entre outros. Mas certamente o novo
acordo leva à maximização do retorno
por meio da otimização do uso do capital.
A Basiléia II é um processo irreversível
e os benefícios são claros. O Brasil
vem avançando no reconhecimento de instrumentos
de transferência e de mitigação,
como bem nos lembrou o Sr. Sérgio Darcy. Mas
há ainda a necessidade de desenvolvimento de
um mercado de derivativos de crédito doméstico.
Foi para nós motivo de orgulho e estímulo
para continuar no caminho certo para aprimorar o mercado
financeiro que ouvimos o Sr. Antônio Marcos Duarte,
com a lucidez que lhe é peculiar, lembrar que
a BM&F é referência mundial tanto
em termos de sistema de risco quanto de estrutura operacional.
A apresentação de Derman focou o objetivo
e os benefícios da utilização
de modelos em finanças, e como os modelos da
física podem ajudar o mercado financeiro. Fruto
de uma reflexão sobre a presença de um
físico no mundo financeiro, Derman se coloca
na posição que denominou de POW (Prisioner
Of Wall), referência a Wall Street.
O Professor John Hull participou, ontem, de uma tarde
de autógrafos e nos brindou, finalmente, com
uma das mais brilhantes palestras deste ciclo, ao sinalizar
as novas tendências dos mercados derivativos.
Na palestra que proferiu durante o almoço de
hoje, o professor Antonio Delfim Neto uma vez mais
nos brindou com sua inteligência. Ele levantou
questões inquietadoras e fez sinalizações
importantes. Disse que, se continuarmos com taxas baixas
de crescimento, precisaremos de 87 anos para dobrar
o PIB per capita. Nenhum de nós estará aqui
para constatar (tão triste história)
esse fato.
Delfim condenou qualquer artificialismo de taxa de
câmbio e disse que no mundo inteiro o crescimento
precede a poupança. Tocando em um ponto central
para a discussão sobre o papel do Estado e do
administrador público na economia, reiterou
a importância de uma política fiscal capaz
de sinalizar para os agentes de mercado expectativas
de déficit público em queda. Um cenário
desses gera reversão de expectativas, fazendo
com que a taxa de juro caia por si só.
A sinalização mais importante que encontrei
no pronunciamento de Delfim Neto, assim como em outros
painéis, mesas-redondas e pronunciamentos individuais
dos nossos convidados, apontou numa direção única:
o Brasil tem, sim, condições de voltar
a crescer ao dobro das taxas atuais. Este país
tem uma classe empresarial corajosa e capaz de correr
riscos. A cara deste empresário e deste mercado
está aqui.
É preciso, como foi dito hoje, acordar o espírito
animal do empresário que cria, fecunda, gera
desenvolvimento, emprego, renda.
A isso eu acrescentaria que o Brasil tem uma estrutura
madura para administrar riscos e a BM&F é,
nesse sentido, uma das pontes mais importantes para
ligar este país às grandes correntes
do trade e do investimento em escala global.
Isto me leva à informação relevante
que mencionei no início de minha fala:
Estou comunicando hoje ao mercado a parceria firmada
entre a BM&F e o Tesouro Nacional para lançamento
de uma tela com formato exclusivo, destinada à divulgação
dos títulos brasileiros no exterior. Esse sistema,
desenvolvido através de vendors, permite o acesso
direto do cliente às informações.
O objetivo é atrair para esse produto o interesse
dos investidores, consolidando em um único local
as principais informações necessárias à compreensão
desse mercado e contribuindo para facilitar a colocação
dos títulos públicos brasileiros no exterior.
Numa segunda etapa as telas permitirão a negociação
on–line, através do roteamento de ordens,
diretamente aos dealers e nossos brokers.
A divulgação será feita por meio
dos Vendors. A tela que estamos apresentando agora
foi produzida em conjunto com a Reuters e já foi
homologada pelo Tesouro, devendo estar disponível
em setembro. Uma tela também está em
desenvolvimento com a Bloomberg.
Essas telas trarão as cotações
em tempo real do Sisbex, mantido pela BM&F no âmbito
da Clearing de Ativos.
Além dessas informações, os investidores
terão acesso também a preços referenciais,
características dos títulos e resultados
dos leilões primários desses papéis.
As novas telas darão maior capilaridade aos
títulos públicos brasileiros, uma vez
que o País é líder em colocação
de papéis de economias emergentes, mas ainda
não dispõe das mesmas condições
de negociação eletrônica, como
ocorre com os títulos dos Estados Unidos e dos
principais países europeus ou asiáticos.
O lançamento oficial das telas e início
de sua operacionalização acontecerá durante
evento do BEST-BRAZIL – organizado e realizado
pela BM&F, Bovespa, Banco Central, Comissão
de Valores Mobiliários (CVM), CBLC, ANBID e
Tesouro Nacional – que ocorrerá em meados
de novembro em Nova Iorque.
Como disse, e reitero, a BM&F vem fazendo tudo
o que está ao seu alcance para elevar seus sistemas,
principalmente os de clearings, gerenciamento de riscos
e produtos aos mais altos e mais competitivos níveis
em escala global.
Queremos que isso ocorra num ambiente em que a cara
do mercado, que está aqui representada, reflita
os mais elevados padrões éticos e aquele
espírito animal de saber correr riscos e vencer,
que às vezes parece estar atolando no lamaçal
político.
A facilidade de que agora dispõe o Tesouro
funciona como uma alavanca adicional para que o gerenciamento
da dívida pública alongue os prazos,
reduza os custos de carregamento e convença
ainda mais o mundo todo de que o Brasil é investment
grade no mais alto estilo.
Boa sorte a todos. |