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25/07/2008
Discurso de Gilberto Mifano, presidente do Conselho de Administração da BM&FBOVESPA, no evento do Novo Mercado
 

Senhoras e senhores, boa tarde.

Em nome do Conselho de Administração da BM&FBOVESPA S.A., que tenho a honra de presidir, gostaria de agradecer a presença de todos neste evento que comemora a centésima adesão de empresas ao Novo Mercado – o segmento da Bolsa onde as companhias se comprometem, voluntariamente, com a adoção das melhores práticas de governança corporativa, além daquelas previstas na legislação brasileira.

Quero saudar todos os representantes de empresas e de entidades do mercado de capitais em nome de nossa ilustre convidada, a presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Maria Helena Santana.

O presidente Raymundo Magliano, que está aqui conosco, costuma dizer que precisamos festejar nossas conquistas e datas especiais. Ele tem razão. São símbolos que merecem ser cultivados e lembrados, porque reforçam nossa compreensão e determinação de lutar por aquilo em que acreditamos.

O Novo Mercado veio à luz em dezembro de 2000. Foi uma criação coletiva:

– Alfredo Riskallah era então o presidente da Bovespa; e Magliano, o vice.
– Maria Helena era a executiva da Bolsa responsável pela área de Relacionamento com Empresas.

Há outras pessoas e entidades que também trabalharam para a realização do Novo Mercado. Não é o caso de nomear a lista inteira, que é extensa, pois eu correria o risco de esquecer algumas delas.

Mas não posso deixar de mencionar alguns nomes – até porque acredito que uma das razões do sucesso do Novo Mercado foi justamente a rede de parcerias que se formou em torno desse projeto, reunindo tanto o setor público quanto o privado.

Isso atraiu os investidores – domésticos e estrangeiros – e consolidou o mercado de capitais no Brasil.

As pessoas e instituições que quero citar são:

– José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, líder de um time que fez um estudo que serviu de base para o Novo Mercado;
– Luiz Leonardo Cantidiano, que nos ajudou a preparar o novo regulamento;
– a CVM, na época comandada por José Luiz Osório;
– o Banco Central, presidido por Armínio Fraga; e
– várias entidades apoiadoras, como o IFC, que é o braço financeiro do Banco Mundial, o fundo Petros, o BNDES e o fundo Franklin Templeton.

Eu mesmo, na época superintendente da Bovespa, participei ativamente dessa história. Por isso, é imperativo registrar também nossa admiração e respeito por dois personagens sem os quais o Novo Mercado não sairia do papel: os investidores e as empresas.

Ambos compreenderam as vantagens da adoção de regras mais rígidas de governança.

Ambos perceberam que isso valorizaria as ações das companhias e permitiria recuperar a liquidez – liquidez essa que em grande parte tínhamos perdido para os mercados americanos na década de 1990.

Ambos, investidores e empresas, entenderam – enfim – que a ampliação dos direitos dos minoritários, de um lado; e a implantação de uma política forte de transparência para as empresas, de outro, seria benéfica para todo o mercado.

As empresas representam o núcleo ou a essência do sistema capitalista – são elas que fazem o progresso econômico e geram empregos e riqueza. A história de quase todas elas é a história do empreendedor que sai em busca de um sonho movido pelo trabalho, vontade de crescer e competência para avaliar riscos e tomar decisões.

Fico imaginando como esses empreendedores, já transformados em empresários de sucesso, amadureceram o projeto de abrir a companhia para novos sócios num segmento como o Novo Mercado.

– Um segmento onde só podem ser emitidas ações ordinárias, com direito a voto;
– Onde os acionistas têm os mesmos direitos dos controladores na eventualidade da venda da companhia;
– Onde a divulgação de demonstrações financeiras e a prestação de contas são transparentes; e
– Onde se exige que pelo menos 20% dos membros do Conselho de Administração sejam independentes.

Essas são apenas algumas das exigências feitas às empresas que querem ingressar no Novo Mercado.

Duas delas abriram o caminho, com ousadia e perseverança, carregando sozinhas a bandeira do Novo Mercado por mais de dois anos: a Companhia de Concessões Rodoviárias(CCR)e a Sabesp.

A partir de 2004, depois de muitos anos de um mercado deprimido, a maré mudou. Os fatores macroeconômicos tornaram-se favoráveis, e a Bovespa, com seu segmento especial de governança (os Níveis 1, 2 e Novo Mercado) e seu aparato tecnológico, estava pronta para o grande salto.

Esse novo ponto de partida foi o IPO, ou a oferta pública de ações da Natura, do setor de cosméticos.

– Seguindo a Natura, em 2004 mais quatro companhias entraram no Novo Mercado;
– em 2005, outras 11;
– em 2006, mais 26;
– em 2007, um ano especial, mais 48 companhias; e
– neste ano, finalmente, chegamos à centésima adesão com o IPO da OGX, empresa do ramo do petróleo, no mês passado; e à centésima primeira, há alguns dias, com a migração para o Novo Mercado da Estácio, do setor da educação.

É uma feliz coincidência que a chegada a esse número mágico – 100 companhias – tenha ocorrido já sob a era da BM&FBOVESPA S.A., a empresa que resultou da integração das duas bolsas brasileiras. Em breve, aliás, nós também estaremos listados no Novo Mercado.

Juntas, as 101 empresas têm um valor de mercado de 445 bilhões de reais, quase 19% da capitalização total da Bovespa. Nas ofertas públicas, elas captaram um total de 96,5 bilhões de reais e trouxeram para o mercado dezenas de milhares de novos investidores individuais.

Senhoras e senhores:

O Novo Mercado é um marco divisório no progresso do mercado de capitais brasileiro. É um modelo reconhecido internacionalmente, um selo de qualidade.

Por tudo isso, celebrar a adesão da centésima empresa é especialmente gratificante. Tenho certeza de que não apenas a BM&FBOVESPA, mas todos os demais participantes do mercado financeiro compartilham conosco essa conquista.

Parabéns às 101 companhias listadas, vocês são responsáveis pelo sucesso do Novo Mercado.

Muito obrigado.